O Dr. Vinicius Rodrigues observa que termos como assimetria e distorção arquitetural aparecem com frequência nos laudos de mamografia e costumam provocar dúvidas imediatas. Sem explicação, a paciente tende a imaginar que algo grave foi encontrado. Na maior parte das vezes, porém, esses achados correspondem a variações normais do tecido ou a alterações benignas, e o que define a conduta são as características descritas junto com eles.
O que é uma assimetria
As mamas raramente são idênticas. A assimetria indica que, em determinada região, uma mama apresenta mais tecido glandular do que a área correspondente da outra. É um achado comum e, na maioria das vezes, reflete apenas a distribuição natural do tecido de cada mulher. Diferenças de tamanho entre as mamas, cirurgias plásticas e variações hormonais também podem contribuir para o achado.
O sistema BI-RADS descreve diferentes tipos. A assimetria simples aparece em apenas uma das incidências da mamografia e, muitas vezes, desaparece em imagens complementares, porque resulta da sobreposição de estruturas. A assimetria global ocupa uma área extensa da mama e, sem outros sinais, costuma ser considerada variação normal.
Assimetria focal e assimetria em desenvolvimento
A assimetria focal é mais localizada e aparece nas duas incidências, mas sem os contornos de um nódulo. Pode exigir imagens complementares e ultrassonografia para ser esclarecida, sobretudo quando não há exames anteriores para comparação. Quando as imagens complementares mostram apenas tecido normal, a área pode ser classificada como benigna ou receber controle em intervalo curto.
A assimetria em desenvolvimento merece mais atenção. O termo descreve uma área que surgiu ou aumentou em relação a mamografias anteriores. Segundo Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a mudança ao longo do tempo é o que torna esse achado relevante, e a investigação costuma incluir ultrassonografia e, conforme o resultado, biópsia.
Quando o tecido aparece repuxado
A distorção arquitetural é diferente. Nela, o tecido da mama aparece repuxado, com linhas finas convergindo para um ponto, como se a estrutura tivesse sido puxada para dentro. Não há necessariamente um nódulo visível, apenas a alteração do padrão normal.
Cicatrizes de cirurgias ou biópsias anteriores são a causa mais comum. A cicatriz radial, lesão benigna em forma de estrela, também produz esse aspecto. Em parte dos casos, contudo, a distorção é o único sinal de um câncer, especialmente do tipo lobular, o que justifica uma investigação cuidadosa. Alterações inflamatórias antigas e a necrose gordurosa, comum após traumas na mama, completam a lista de causas benignas.
Como o radiologista decide a conduta?
O histórico da paciente é o primeiro ponto. Uma distorção exatamente no local de uma cirurgia prévia, estável ao longo dos exames, tende a ser cicatricial. Por isso, informar procedimentos anteriores ao serviço de imagem faz diferença na interpretação, assim como mencionar traumas, infecções e procedimentos estéticos nas mamas.
Sem histórico que explique o achado, a distorção arquitetural costuma ser classificada como suspeita, com indicação de biópsia. Na leitura de Vinicius Rodrigues, a tomossíntese e a ultrassonografia ajudam a confirmar se a alteração é real e a localizar o ponto exato para coleta do material.
A importância dos exames anteriores
Tanto na assimetria quanto na distorção, a comparação com mamografias anteriores é uma das ferramentas mais úteis. Um achado presente há vários anos, sem mudanças, tem probabilidade muito menor de representar doença do que uma alteração recente.
Levar exames antigos para cada nova mamografia e manter o rastreamento no intervalo recomendado facilita essa avaliação. Conforme explica Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a palavra no laudo não deve ser lida isoladamente, já que o significado real depende do tipo de achado, da evolução no tempo e da categoria BI-RADS atribuída ao exame.