A mamografia é o exame de imagem mais eficaz no rastreamento do câncer de mama, mas ainda gera dúvidas e até resistência entre muitas mulheres. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, médico radiologista e ex-secretário de Saúde, observa que grande parte do desconforto relatado pelas pacientes tem origem no desconhecimento sobre como o procedimento funciona. Neste artigo, serão abordados o funcionamento técnico da mamografia, o que ocorre durante o exame, como se preparar adequadamente e por que superar as barreiras que afastam tantas mulheres de um diagnóstico precoce.
Como funciona a mamografia do ponto de vista técnico?
A mamografia utiliza raios-X de baixa dosagem para produzir imagens detalhadas do tecido mamário. Durante o procedimento, a mama é posicionada sobre uma plataforma e comprimida por uma placa móvel, o que garante a distribuição uniforme do tecido e reduz a quantidade de radiação necessária para obter uma imagem nítida. Esse processo dura apenas alguns segundos por projeção.
A compressão, embora cause desconforto momentâneo, é indispensável para a qualidade diagnóstica do exame. Sem ela, as imagens perderiam definição e pequenas alterações poderiam passar despercebidas. Compreender essa etapa como parte essencial do processo ajuda a tornar a experiência menos intimidante.
O que acontece durante o exame de mamografia?
A paciente é posicionada de frente ao equipamento pelo técnico de radiologia, que orienta o posicionamento correto das mamas. Em seguida, são realizadas ao menos duas projeções de cada mama: uma frontal e uma oblíqua. Em alguns casos, projeções adicionais podem ser solicitadas para avaliar áreas específicas com mais detalhe.
O exame completo dura entre 15 e 20 minutos, e o desconforto gerado pela compressão é breve e tolerável para a maioria das mulheres. O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues destaca que mulheres com maior sensibilidade mamária, comum no período pré-menstrual, podem se beneficiar ao agendar o exame para os dias seguintes ao término do ciclo, quando o tecido tende a estar menos sensível.

Como se preparar para a mamografia?
A preparação para o exame é simples, mas alguns cuidados fazem diferença. No dia do procedimento, recomenda-se evitar o uso de desodorante, talco, cremes ou perfumes na região das axilas e mamas, já que esses produtos podem criar artefatos nas imagens e dificultar a interpretação dos resultados.
Vinicius Rodrigues orienta que a paciente leve exames anteriores ao atendimento sempre que possível. A comparação entre mamografias realizadas em anos diferentes é uma ferramenta valiosa para o médico radiologista, pois permite identificar alterações sutis que poderiam não chamar atenção em uma avaliação isolada.
Quem interpreta a mamografia e como o resultado é comunicado?
As imagens geradas pelo equipamento são analisadas por um médico radiologista, especialista treinado para identificar padrões normais e alterações suspeitas no tecido mamário. O laudo é emitido com base em uma classificação padronizada internacionalmente, conhecida como BI-RADS, que organiza os achados em categorias que orientam a conduta clínica subsequente.
O ex-secretário de Saúde e médico radiologista Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues explica que a maioria das mamografias resulta em laudos com classificações benignas, o que não dispensa o acompanhamento regular. Quando há necessidade de investigação complementar, o próprio laudo já indica o próximo passo, seja uma ultrassonografia, uma ressonância magnética ou uma biópsia.
Dor, medo e desinformação: o que impede as mulheres de fazer a mamografia?
Entre os principais fatores que levam mulheres a adiar ou evitar a mamografia estão o receio da dor, o medo de um resultado positivo e a crença equivocada de que o exame só é necessário quando há sintomas. Esses obstáculos são compreensíveis, mas clinicamente perigosos, já que o câncer de mama tem maior potencial de cura justamente quando é detectado antes de qualquer manifestação clínica.
Vinicius Rodrigues reforça que informar é a melhor forma de vencer a resistência ao exame. Uma paciente que entende o que vai acontecer, sabe o que sentirá e conhece a relevância clínica do procedimento tem muito mais chances de manter a regularidade do rastreamento ao longo da vida. A mamografia não precisa ser temida; precisa ser compreendida.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez