Como auditor aposentado, Alberto Toshio Murakami apresenta que a LC 214/2025 representa um dos marcos mais relevantes da recente reforma tributária brasileira e traz mudanças estruturais para o funcionamento do setor fiscal das empresas. A nova legislação exige não apenas adaptação normativa, mas também uma transformação na forma como as organizações estruturam suas rotinas fiscais e contábeis.
Ao longo deste artigo, serão analisados os principais impactos da LC 214/2025 no cotidiano das empresas, as mudanças esperadas para o setor fiscal e os desafios relacionados à transição para o novo modelo tributário.
O que a LC 214/2025 muda na tributação sobre o consumo no Brasil?
A LC 214/2025 integra o conjunto de medidas da reforma tributária voltadas à simplificação do sistema de tributação sobre o consumo. A legislação institui novos mecanismos que reorganizam a estrutura de arrecadação, substituindo tributos existentes por modelos mais padronizados de cobrança.
Entre as mudanças mais relevantes está a criação de tributos com base mais ampla e regras de apuração uniformizadas. A partir do que alude Alberto Toshio Murakami, esse novo modelo busca reduzir distorções históricas do sistema tributário brasileiro, especialmente aquelas relacionadas à cumulatividade de impostos e à multiplicidade de normas aplicáveis em diferentes esferas federativas.
Essa reorganização tributária exige atenção especial das empresas, principalmente tendo em vista que a transição para o novo sistema envolve adaptação de sistemas fiscais, revisão de procedimentos internos e atualização constante das equipes responsáveis pela apuração de tributos.
CBS, IBS e novas responsabilidades do setor fiscal
Com a reforma tributária, dois novos tributos ganham destaque no sistema de tributação sobre consumo: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Esses tributos substituem gradualmente impostos existentes e introduzem um modelo baseado em princípios de não cumulatividade e maior transparência na cobrança.
Para o setor fiscal das empresas, isso significa mudanças significativas na forma de apuração e controle das operações tributárias. A correta identificação de créditos fiscais, a classificação adequada de operações e a integração de dados entre diferentes áreas da empresa tornam-se elementos ainda mais importantes.
Segundo Alberto Toshio Murakami, o novo sistema exige que as empresas desenvolvam uma visão mais estratégica do setor fiscal. Em vez de atuar apenas no cumprimento de obrigações legais, o departamento fiscal passa a desempenhar um papel central na organização das informações tributárias da empresa.
Automação e tecnologia no novo cenário fiscal
A complexidade do sistema tributário brasileiro sempre exigiu alto grau de organização por parte das empresas, ressalta o ex-auditor Alberto Toshio Murakami. Com a introdução da LC 214/2025, cresce também a necessidade de utilizar ferramentas tecnológicas capazes de integrar informações fiscais, contábeis e financeiras.
Sistemas de automação fiscal podem auxiliar na parametrização de tributos, no controle de documentos fiscais e na geração de relatórios necessários para o cumprimento das obrigações legais. Essas ferramentas reduzem o risco de erros operacionais e permitem maior eficiência na gestão das rotinas fiscais.

A tecnologia não substitui o conhecimento técnico dos profissionais da área fiscal, entretanto, quando utilizada de forma estratégica, ela contribui para tornar os processos mais seguros e facilitar a adaptação das empresas às mudanças trazidas pela reforma tributária.
Gestão de riscos fiscais durante o período de transição
A transição para o novo modelo tributário exige atenção especial das empresas, pois envolve convivência temporária entre regras antigas e novas. Durante esse período, erros na interpretação da legislação ou na adaptação de sistemas podem gerar inconsistências fiscais.
Por esse motivo, muitas organizações têm reforçado mecanismos de controle interno e investido em auditorias fiscais preventivas. Essas iniciativas permitem revisar procedimentos, identificar possíveis inconsistências e ajustar rotinas antes que problemas maiores surjam.
Na avaliação de Alberto Toshio Murakami, a gestão de riscos fiscais torna-se ainda mais importante em momentos de mudança legislativa. Empresas que acompanham de perto as alterações normativas e revisam seus processos internos conseguem reduzir significativamente sua exposição a penalidades.
O futuro do departamento fiscal nas empresas
A reforma tributária e a implementação da LC 214/2025 indicam uma tendência de transformação no papel do departamento fiscal dentro das organizações. O setor deixa de atuar apenas como responsável pelo cumprimento de obrigações e passa a integrar decisões estratégicas relacionadas à gestão financeira e tributária.
Essa mudança exige profissionais cada vez mais preparados para lidar com tecnologia, interpretar normas complexas e atuar de forma integrada com outras áreas da empresa. A capacidade de análise e planejamento fiscal torna-se um diferencial importante para organizações que buscam eficiência e segurança jurídica.
Alberto Toshio Murakami resume que o futuro do setor fiscal está diretamente ligado à capacidade das empresas de combinar conhecimento técnico, organização de processos e uso inteligente de tecnologia. Essa integração permitirá que o departamento fiscal contribua de forma mais efetiva para a gestão e o desenvolvimento sustentável das empresas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez