Forças americanas desativaram navio com mísseis Hellfire no Golfo Pérsico, em meio a nova escalada de ataques contra alvos iranianos.
Os Estados Unidos retomaram nesta semana o bloqueio naval contra portos do Irã e realizaram o primeiro ataque de aplicação da medida, desativando um petroleiro que tentava seguir viagem até o país. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), o navio M/T Belma, vazio e com bandeira de Curaçao, ignorou avisos repetidos enquanto se dirigia à Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo iraniano. Uma aeronave americana disparou mísseis Hellfire contra a chaminé da embarcação, imobilizando-a sem provocar vazamento de carga. O episódio ocorre em meio a uma nova onda de ataques dos Estados Unidos contra instalações militares iranianas, incluindo centros de comando, sistemas de defesa aérea e instalações de mísseis, o que elevou ainda mais a tensão na região do Estreito de Ormuz.
Como aconteceu o ataque ao petroleiro e o que diz o CENTCOM
De acordo com o comunicado divulgado pelo CENTCOM, a interceptação do M/T Belma marcou a primeira ação de aplicação do bloqueio naval desde sua retomada, na terça-feira. O navio, classificado como um grande petroleiro capaz de transportar entre 1,8 milhão e 2 milhões de barris de petróleo, media mais de três campos de futebol americano de comprimento e navegava em lastro, ou seja, sem carga, quando foi detectado por forças americanas em águas internacionais. Um vídeo de 18 segundos divulgado pelo próprio Comando Central mostra a aeronave disparando os mísseis contra a chaminé da embarcação, técnica utilizada para neutralizar a propulsão do navio sem atingir seus tanques de carga.
Ainda segundo o CENTCOM, duas outras embarcações comerciais que cumpriram os avisos das forças americanas durante o mesmo período foram redirecionadas sem uso de força. O bloqueio naval contra o Irã passou a valer novamente na terça-feira, depois de ataques americanos realizados no fim de semana anterior em resposta a ações das forças iranianas contra navios comerciais que cruzavam o Estreito de Ormuz. As autoridades de Curaçao, por sua vez, negaram publicamente que o navio interceptado estivesse de fato registrado sob a bandeira do território, afirmando que a ilha não possui atualmente nenhum petroleiro operando sob esse registro, o que gerou dúvidas sobre a real nacionalidade da embarcação atingida.
O contexto mais amplo do conflito no Estreito de Ormuz
O ataque ao petroleiro acontece dentro de um confronto mais amplo entre Estados Unidos e Irã, que já dura meses e tem o Estreito de Ormuz como um dos principais palcos de disputa. A via marítima é considerada estratégica para o comércio global de petróleo, respondendo por cerca de um quinto de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo, o que faz de qualquer interrupção na região uma fonte de preocupação para os mercados internacionais de energia. Nos dias que antecederam o ataque ao M/T Belma, os Emirados Árabes Unidos relataram que o Irã havia atacado dois petroleiros emiradenses na mesma rota, resultando na morte de um tripulante e em oito feridos, enquanto a Guarda Revolucionária iraniana reivindicou uma operação contra uma base americana no Bahrein.
Do lado americano, o presidente Donald Trump afirmou, antes da retomada dos ataques, que um acordo com Teerã ainda seria “possível”, ao mesmo tempo em que prometia intensificar a pressão militar sobre o país caso a rota não fosse liberada por completo. As forças americanas, por meio do CENTCOM, também confirmaram ataques contra instalações de defesa costeira, sistemas de mísseis e bases de drones no Irã, incluindo a região de Bandar Abbas, cidade portuária estrategicamente localizada no Estreito de Ormuz. Autoridades iranianas relataram explosões em cidades do sul do país e apontaram um número elevado de mortos e feridos nos ataques mais recentes, embora esses números não tenham sido confirmados de forma independente por fontes ocidentais.
A retomada do bloqueio naval e o ataque ao petroleiro reforçam que o conflito entre Estados Unidos e Irã segue longe de uma solução definitiva, mesmo após meses de trocas de ataques e tentativas pontuais de negociação. A escalada no Estreito de Ormuz tende a manter o mercado internacional de petróleo em estado de alerta, já que qualquer interrupção prolongada na região pode afetar diretamente os preços de combustíveis em diferentes países, incluindo o Brasil. Para o restante do mundo, o episódio expõe a fragilidade do atual cessar-fogo entre as partes e sinaliza que novas ações de bloqueio, interceptação de embarcações e ataques pontuais devem continuar acontecendo enquanto EUA e Irã não chegarem a um entendimento mais estável sobre o controle da rota marítima.
Fontes: Stars and Stripes, NL Times, Revista Fórum